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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Km 666 da BR-282: um grande mistério.



placa de sinalização - Km 666
Onde estão as placas do Km 666 da BR-282? Ou deveria perguntar: quem estará sumindo com as placas de sinalização do Km 666, da BR-282? 

São poucas as rodovias no mundo que superam 600 km de extensão e, para quem não sabe, a BR-282 é a rodovia que corta, de leste a oeste, o Estado de Santa Catarina. Tem seu início, o Km 1, na capital, em Florianópolis; e atinge seu limite, no Km 670, na cidade de Paraíso, no extremo-oeste do Estado, município que faz divisa com a Argentina. O Km 666 da rodovia fica a 4 km do trevo de entrada da cidade de Paraíso, no entanto não há mais placa indicativa, apenas um suporte de madeira encravado na terra. Soube que, por mais de três vezes, o DNER recolocou a placa indicativa do referido quilômetro e todas as placas sumiram. Há um mistério envolvendo este sumiço repetitivo.

Algumas pessoas da cidade de Paraíso dizem que é coisa de “gente crente que tem medo do Tinhoso” (sic); outros, mais temerosos ainda, não descartam a possibilidade de ser coisa de alguma “seita secreta de adoradores do demônio”. Para quem não sabe, o n° 666 é considerado, por muitos estudiosos, como sendo o número da Besta, do Mal, do Demônio, Belzebu, ou outros sinônimos menos populares. Eu estive no local e constatei que, curiosamente, não há moradores nas margens do Km 666 da BR-282, apenas mata, campo de pastagem, e um trecho onde uma enorme pedreira teve que ser aberta para a passagem da rodovia. Estranhamente, quase encostado ao que sobrou da placa, sobre um enorme potreiro, havia umas duas dezenas de vacas, todas da raça Jersey, pastando e nenhuma com chifres. Observei que há dois moradores no extremo do Km 665 e um rio separa o Km 666 do Km 667. 

O trecho da rodovia BR-282 que vai do município de São Miguel do Oeste a Paraíso foi asfaltado há uns quatro anos, e é muito pouco movimentado, pois o tráfego vindo da Argentina ainda é, na sua quase totalidade, em Dionísio Cerqueira, cidade distante 60 km do local. Em conversa com um funcionário da Prefeitura do Município de Paraíso, que não quis se identificar, logicamente, ele disse que tem interesse político no caso, pois ninguém quer que o “Km 666” vire uma espécie de “Ponto Turístico”, além do que, concluiu, o referido quilômetro nada tem a ver com o nome da cidade (sic). Um policial militar, que faz a segurança da cidade, que é um município pacato e com pouco mais de 4 mil habitantes, disse que seria coisa de “vândalos” (sic), mas não descartou a possibilidade de ser de algum “arruaceiro argentino” (sic). E o caso ainda intriga os moradores e muitos usuários da rodovia.

traffic sign - Km 666
Por fim, sobre o sumiço das placas do Km 666, o escritor suíço, Erich Von Däniken, muito provavelmente, se questionaria: “não teriam sido os deuses astronautas?”; e Judas (aquele da Bíblia, mesmo), se não tivesse se enforcado, com certeza perguntaria: “acaso, seré yo, Señor?”. O DNER, extra-oficialmente, desistiu de repor as placas, mas o mistério ainda permanece e faço minhas as palavras do famoso payador gaúcho, Jayme Caetano Braun: “sou crente na divindade/ morro quando Deus quiser... em bruxas não acredito, pero que las hay, las hay”. E, para encerrar, é claro que, se as placas, ao invés de sumirem de repente, da noite para o dia, como tem acontecido, ficassem como esta placa, em cores vermelha, preta e amarela; ficaria muito preocupado, e, provavelmente, diria que há algum torcedor do Sport Recife envolvido.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A arte de Costa Araújo


Costa Araujo - 2011 - Acrylic on canvas
José Augusto COSTA ARAÚJO, minhoto, angolano, brasileiro, alentejano, transporta para a sua arte a qualidade de cidadão do mundo. Artista multifacetado e experimentalista, cruza estilos e técnicas, fundindo nas telas as culturas assimiladas em três continentes. Mesmo quando o universo se circunscreve a um só território, como é ocaso desta exposição sobre o Alentejo.
Espaço mítico e quantas vezes incompreendido, o Alentejo viaja com o pintor até ao norte do pequeno-grande Portugal. Vão as terras e as gentes como Costa Araújo as vê, mas, sobretudo, os sentimentos como ele os capta. São quadros que desafiam o imaginário de quem os observa. Deles, emanam idéias, sons e cheiros. Mas, mais do que isso, revelam as emoções de um povo sofrido, todavia digno e autêntico.
Costa Araújo tem vasta obra espalhada pelo mundo. Porém, não faz da pintura um modo de vida, antes, uma forma de estar. Sensível, intuitivo, arrebatado e repentista, ele pinta poesias. Umas solenes, outras exuberantes, mas sempre belas e tocantes. Nós, os comuns, gostamos, precisamente porque as sentimos. Também, porque nestes tempos de convulsões mediatizadas, a beleza é um bem escasso...
Obrigado amigo!
J. M. Lapa Candeias
PERCURSO ARTÍSTICO
2004: Exposição individual no Évorahotel, Évora;
2002: Exposição individual na Galeria 21, Evora;
2001: Exposição individual na Galeria da Casa Nobre da Rua de Burgos, Evora;
2000: Exposição individual no Hotel da Cartuxo, Evora;
1999: Exposição individual na Junta de Freguesia de PorteI;
1999: Exposição individual no Hotel 0. Fernando, Evora;
1991/1998: Trabalha no ensino e em publicidade, artes gráficas, decoração, azulejaria e cerâmica;
1991: Obtém o 1° Prémio da Mascote do Mundial de Futebol Sub 20, com o “Fintas” ;
1983: Exposição colectiva de “Os Povos e as Artes” no Palácio de 0. Manuel, Evora;
1980: Exposição colectiva no Clube Naval de Pernambuco, Recife (Brasil) ;
1980: Exposição individual na Galeria Augustus, Olinda (Brasil);
1979: Exposição colectiva no Museu de Arte Contemporânea, Recife;
1978: Obtém uma Menção Honrosa pelo Cartaz das Comunidades Portuguesas, Recife ;
1971: Exposição colectiva na Revista Notícia, Luanda (Angola) .
Costa Araujo - 2004

NOTAS BIOGRÁFICAS
Costa Araújo nasceu em Braga em 1947. Iniciou a sua formação como artista plástico em Angola e continuou-a no Brasil, na Suíça e em Portugal. Chegou a Evora há pouco mais de vinte anos, onde se radicou. Tem desenvolvido intensa actividade criativa como pintor, designer, professor de artes gráficas e como decorador de espaços comerciais e de eventos de grande porte (feiras e exposições).
Enquanto pintor, a sua versatilidade e a pesquisa incessante de novas técnicas, levou-o da pintura a óleo à pintura em acrílico, aquarela, azulejo e porcelana, com incursões pela cerâmica e pela serigrafia. Está representado em colecções particulares de instituições e colecionadores dos três continentes da sua vida e da sua inspiração.
Atualmente, Costa Araújo trabalha e ministra curso de arte na Vintage – Arte, Decoração e Molduraria, em Dionísio Cerqueira, SC.
 Visite o blogue do artista: Costa Araujo Fine Art.
Costa Araujo 2012

Costa Araujo -2008

domingo, 20 de junho de 2010

Como se tudo fosse uma série, algumas reticências.

São Miguel do Oeste tem uma característica singular: é longe, muito longe. Não longe do mundo, ou de tudo, ou de quase nada, mas longe naquilo que a própria palavra tem como reticência. Como espaço a ser ocupado, lugar pronto para cumprir um sentido afetivo de ocupa-se. Lugar branco, sem associação de escritores ou de artistas (esta maledicência), o que é ótimo, bem perto da fronteira com o estranho, muito perto de suas ruas com relevo e de uma gente que na falta de outro movimento fica na rua, habita a rua, se espalha na rua. Morar a rua aparece como uma opção à vida pequena, miúda, da cidade com pouca gente e que faz frio, muito frio.

Assim, o princípio de um programa de formação de escritores numa cidade como São Miguel do Oeste acessa um vão aberto que pode ser esticado até onde o limite do risco e do esforço se faz possível. Não há nada antes, tudo pode vir depois. E isto é a melhor coisa pra um trabalho como esse. Porque todo o projeto é novo, bom, ventilado, tudo fica mais generoso e denso, as coisas podem ser ditas, as coisas podem ser ouvidas. Toda a ideia é abrir a palavra até onde ela é rasgo e tensão dentro da página.

Este pequeno livro é uma mostra dessa reticência, dessa ventilação, desse outro possível que ninguém sabe ninguém viu. Mas até agora. Este livro é para dar a ver este sumiço, este fantasma, esta série plena de coisas que poderiam ou deveriam ter sido ditas antes, muito antes. Mas como não foram, é agora que elas aparecem e se confirmam: o tempo de cada coisa aqui é agora, nesta série, neste ir e vir de cada movimento. Caríssimo leitor: siga o mapa, se perca por aí; garanto a você: vale o escrito. 

Manoel Ricardo de Lima - Outono, 2009.

A Coleção Caderno de Autoria reúne experiências de escrita elaboradas nos cursos de formação de escritores do SESC Santa Catarina. Esta coleção surge em consonância com o cenário cultural brasileiro e com as diretrizes do Departamento Nacional do SESC enquanto estímulo à produção, difusão dos bens culturais e incentivo a novos artistas.